O Massacre da Serra Elétrica 3D (2013) – A maior vítima é o espectador

texas_chainsaw_massacre_3d_ver4

A infestação de filmes com a utilização da tecnologia 3D já encheu o saco. Sério, por mais que seja até legal você curtir cenas em que o realismo é muito aumentado por causa da sensação de profundidade que tais filmes proporcionam, já deu. Digo isso porque o que fica claro na grande maioria dos casos é que a tecnologia serve apenas para ser um chamariz a qualquer franquia ou filme isolado. Explico: o que importa não é mais o filme em si, mas sim o fato de ele “ser em 3D”. Não vejo outra explicação para essa avalanche de filmes vazios e equivocados, com cara de feitos às pressas, burros e sem noção… mas que são em 3D. Uma pena, já que o cinema está cada vez mais perdendo sua essência e se assemelhando mais a um show tecnológico do que arte em si.

Essa é a primeira impressão que fica com esse Massacre da Serra Elétrica 3D (me recuso a mencionar o subtítulo nacional de tão vergonhoso que o mesmo é): QUATRO PESSOAS ESTIVERAM ENVOLVIDAS NA ELABORAÇÃO DE UM ROTEIRO (uma delas sendo uma anta chamada Adam Marcus, que dentre outras bombas, escreveu o roteiro de Jason vai para o Inferno) em que uma das maiores burrices da história do cinema está presente. A premissa do filme é ser sequência direta do original, logo, ele se inicia do início da década de 70. Após um acerto de contas entre moradores da cidade de Newt e a família Sawyer (que, inexplicavelmente, mesmo com a utilização das cenas do filme original, do nada vira uma família de dezenas de caipiras, o que nos faz pensar como a personagem de Marilyn Burns no original teria sido uma verdadeira ninja ao conseguir escapar de tanta gente), uma bebê é tomada deles por um casal.

Temos então uma viagem no tempo e vemos que a bebê em questão, Heather (que aparenta ter uns 20 anos), descobre a verdade de ter sido adotada, ao receber uma carta de herança de sua única parente viva, Verna Carson (aqui interpretada especialmente por Marilyn Burns). Ela então parte com seus amigos (o argumento para esse monte de gente ir junto com ela é ridículo) para a cidade de Newt e descobre que herdou uma bela mansão, além de descobrir que sua família verdadeira é “maldita” na cidade e jurada pela família Hartman, cujo prefeito Carl (Scott Eastwood) pertence. Porém, após uma sucessão de tolices, ela descobre que a casa não está realmente vazia, pois Leatherface (aqui chamado de Jed Sawyer, e que sinceramente está deprimente) está em um porão escondido e fará o que melhor sabe: utilizar sua serra elétrica para desmembrar e destroçar alguns personagens idiotas.

O roteiro tem algumas reviravoltas e um desfecho que, apesar de ousar em mudar a “mitologia da série”, falha gravemente em fazer isso de forma desleixada e inverossímil, além de abrir mão de qualquer tipo de clímax. Mas, o mais gritante absurdo é o fato de ficar claro que, dos acontecimentos iniciais até a saga de Heather, que obviamente se passa nos dias de hoje (graças à utilização de tecnologias como Iphone em um momento chave da trama) se passam uns 40 anos. PORRA, COMO ENTÃO HEATHER É UMA JOVEM QUE CLARAMENTE APARENTA UNS 20 ANOS? Há outros absurdos sobre a questão do tempo, mas nem há necessidade de mencionar aqui. E eu fico me perguntando: como é que são utilizadas quatro pessoas para escrever isso (sem contar que o roteiro como um todo é horrível e tem outras dezenas de furos que não estão relacionados à questão do tempo)???

As atuações são sofríveis (inclusive com a Alexandra Dadario fazendo feio em diversas partes), o elenco de Malhação faz com que torçamos para que todos sejam degolados e o filme acabe logo, a direção é porca e os momentos forçados para a utilização do 3D são péssimos (o único que vale a pena é o momento em que uma serra elétrica vai em direção à tela). Há violência? Sim, algumas cenas de morte são boas, assim como um certo gore aqui e ali dão alguns litros de sangue para o deleite do espectador. Há também a participação especial de atores do original, como Bill Moseley, Gunnar Hansen e a já mencionada Marilin Burns. Uma pena que, diante de um argumento tão ruim e um roteiro tão imbecil, nem isso melhore o seu humor e tire a ideia de que você, espectador, está sendo tratado como otário.

Texas Chainsaw 3D é, desde já, uns dos 10 piores filmes de horror do ano e, mesmo que ainda estejamos em maio, acho difícil que ele não figure em tal “Top 10” quando o ano acabar. Uma coisa é um filme burro, mas que desde o começo deixe claro que tudo é pensado para ser absurdo, cômico e sátira de si mesmo. Outra coisa é o filme burro, mal executado e levado a sério como é esse Massacre da Serrá Elétrica. Eu prefiro pensar que este filme tenha como objetivo de existir apenas ser mais uma justificativa burra para utilizar a tecnologia; caso contrário, que tranquem esses quatro infelizes que escreveram uma merda dessas naquele porão em que vive o Leatherface…

Nota: 3,0

Estados Unidos, 2013 / Elenco: Alexandra Dadario, Dan Yeager, Trey Songz, Scott Eastwood, Tania Raymonde. Roteiro: Adam Marcus, Debra Sullivan, Kirsten Elms, Stephen Susco. Direção: John Luessenhop.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s