Especial Chucky (Child’s Play – Bride and Son of Chucky) – Parte 2

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Brinquedo Assassino 2 (1990) – Sorry Jack… Chucky is back!

Este é um filme que me dedicou muitas horas de diversão (e uma breve de susto) quando eu era moleque. Analisando hoje, vejo o quanto é absurdo (como se a premissa original já não o fosse) e frágil em seu roteiro. Mas mesmo assim diverte. Não diria que os filmes antigos da série possam ser encaixados ao rótulo “humor negro” de fato, como acontece com os últimos dois filmes do personagem, mas aqui há algumas tiradas tão boas que não dá para deixar de mencionar esta qualidade do filme também, visto que ao contrário dos recentes erros da série, não chegam a comprometer a essência dos filmes.

Pois bem, sabe-se lá o por quê, o boneco Chucky é reconstruído, após seu fim trágico no primeiro filme. Os investidores da companhia que fabrica os bonecos Good Guys estão sofrendo pressões devido aos acontecimentos com Andy Barclay (Alex Vincent) e os supostos assassinatos cometidos pelo boneco, por mais que ninguém acredite na história. Sabe-se lá o por quê novamente, Chucky aparentemente causa um choque elétrico fatal a um dos técnicos que estavam terminando de “remontá-lo”. E então, sabe-se lá o por quê novamente, um funcionário da empresa leva o boneco para casa e, obviamente, irá ter uma experiência nada agradável, da qual não resistirá para contar. Chuky utiliza então o telefone do carro do infeliz e descobre a localização de Andy.

Apesar desse começo absurdo, paralelamente vemos que Andy é adotado pelo casal Phil e Joanne (Gerrit Graham e Jenny Agutter) e terá a companhia de outra adolescente adotada pelo casal, Kyle (Christine Elise), em seu novo lar. Chegando no local, Andy se depara com um boneco Good Guy em meio aos brinquedos de seu quarto. Bingo! Chucky agora poderá se “infiltrar” no lugar desse boneco e tentar trocar de “corpo” com Andy. Ao ver que Chucky está de volta, Andy passa a alertar todos, que obviamente não acreditam e dos quais muitos serão alvo do boneco. Ao testemunhar que o relato de Andy é verdadeiro, Kyle tenta ajudá-lo e os dois tentarão deter Chucky.

Mesmo contando com diversos furos e momentos non-sense, Child’s Play 2 continua sendo uma boa pedida de diversão. Apesar de o suspense que houve no primeiro estar em menor quantidade nesta sequência, as mortes são bem executadas. Contando com uma tecnologia mais avançada, os movimentos do boneco parecem mais naturais do que no original, além de ele aparecer bem mais em cena e diretamente com os atores. A violência também é maior, satisfazendo o espectador que curte mais sangue (com destaque para o desfecho do filme) e a agressividade do assassino, como na cena da escola.

O elenco é básico, mas merece destaque a atuação de Alex Vincent, que apesar da pouca idade leva com competência o personagem, e obviamente o excelente trabalho de Brad Dourif, que faz a voz de Chucky. No mais, Brinquedo Assassino 2 é um filme agradável de terror. Os erros do roteiro são compensados com o “carisma” de Chucky, ainda mais violento e sarcástico, e com a tensão em torno do personagem Andy. Recomendado!

Nota: 7,0

Estados Unidos, 1990 / Elenco: Alex Vincent, Christine Elise, Jenny Agutter, Gerrit Graham, Brad Dourif, Grace Zabriskie. Música: Graemme Revell. Edição: Edward Warschilka. Produção: David Kirschner. Roteiro: Don Mancini. Direção: John Lafia.

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Brinquedo Assassino 3 (1991) – Destruindo algumas coisas do passado

Este é um daqueles filmes que divide muitas opiniões de fãs. Eu defino esse filme como “quase ruim” pois, apesar do roteiro ruim, das más atuações e de um ritmo que não se sustenta, Chucky rouba a cena e agrada o espectador em diversos momentos. Deve ser levado em consideração também o fato de que este foi um filme feito às pressas: Don Mancini, o roteirista de todos os filmes do personagem, afirmou certa vez que o roteiro começou a ser escrito quando o segundo filme ainda estava em exibição e foi lançado menos de um ano após este, por exigência da Universal. Isso explica em parte o fraco resultado que testemunhamos aqui.

O início é tão absurdo que tentar compreender a lógica é impossível: anos após os acontecimentos do filme anterior e o fechamento da Play Pals (empresa que fabrica os bonecos Good Guys), investidores “ressuscitam” a marca. Com isso, a fábrica que serviu como cenário para o desfecho da segunda parte da série volta a funcionar e, após os “restos mortais” de Chucky serem içados para provavelmente serem descartados, gotas do sangue de Chucky caem no caldeirão da borracha que serve de matéria para a produção dos bonecos e… Chucky está de volta! Sério, por mais que a premissa do filme seja absurda, fica difícil não imaginar por que todos os bonecos gerados por esse caldeirão também não foram “possuídos”, ou como já conseguiram reutilizar o material que, presume-se, tenha ficados anos sem ser utilizado e provavelmente estaria impróprio, ou pra quê içar uma porra de massa derretida, já que dezenas de funcionários já estavam recolhendo os resíduos no próprio chão… Enfim, ignoremos isso e vamos aceitar o fato de que o manda chuva da empresa recebe o primeiro boneco da nova linha de produção que, vejam só, é Chucky.

Após uma cena até interessante, onde o inescrupuloso empresário se dá mal, Chucky descobre através de um computador (nem me perguntem como ele conseguiu essa informação) que Andy Barclay está agora em uma escola militar. Andy (Justin Whalin) cresceu e após ser adotado por inúmeras famílias (e aparentemente ter passado problemas com todas) ele tenta se ajustar no exército. Lá, enfrentará problemas com o oficial Shelton (Travis Fine), será injustiçado, despertará o interesse da soldado Da Silva (Perrey Reeves) e, obviamente, verá que Chucky está de volta. Porém, desta vez o boneco irá tentar possuir outro garoto, Tyler (Jeremy Sylvers), que abriu o pacote em que Chucky se fechou para ser entregue a Andy (cara, eu só queria saber COMO CHUCKY SE EMBRULHOU SOZINHO!) e, apaixonado pelos bonecos Good Guys, irá querer brincar com o assassino. Sabendo das intenções de Chucky, Andy tentará convencer Tyler das intenções do boneco e se complicará dentro do quartel.

Não dá para aceitar muitas coisas no roteiro, começando pelo fato de que a ânsia de Chucky em tentar possuir Tyler vai contra o que vimos no primeiro filme da série (de que ele deveria trocar de corpo com a primeira pessoa para quem se revelou), não dá para entender como Chucky não possuiu Tyler em centenas de momentos oportunos, morrem pessoas em lugares cheios e ninguém percebe… E o pior de tudo é que haveria a possibilidade de sair muita coisa boa daí: um lugar imenso, diversos personagens, um assassino do qual ninguém suspeita… Um cuidado maior poderia resultar em um bom filme que mesclasse o terror e o suspense da mesma forma que o Child’s Play original.

Apesar de todos os defeitos, a presença de Chucky garante bons momentos, inclusive com algumas piadas muito boas (é impagável quando Chucky decide possuir Tyler e diz “Agora serei um “irmão””). A cena final, que se passa em um parque de diversões e, posteriormente, dentro de uma “casa de horrores” também é agradável, apesar de não haver suspense algum. O elenco se sustenta, apesar de Justin Whalin ser mau ator, os outros atores seguram as rédeas, com destaque para Brad Dourif, que dá um show novamente.

Child’s Play 3 teve uma recepção muito negativa e freou o personagem por diversos anos. Realmente, é um filme que, salvo algumas cenas e a presença de Chucky, é ruim. É mal dirigido, possui tantos furos quanto o número de figurantes, é forçado… Apesar dos pesares, pode proporcionar uma sessão de filme de horror sem maiores problemas, pois a peculiar presença do “boneco assassino” camufla um pouco a pobreza que há neste filme. O que o personagem não poderia esperar é que seria justificativa para a produção de filmes ainda piores e toscos…

Nota: 5,0

Estados Unidos, 1991 / Elenco: Justin Whalin, Perrey Reeves, Travis Fine, Andrew Robinson, Jeremy Sylvers, Brad Dourif. Música: Cory Lerios e John D’Andrea. Edição: Edward Warschilka. Produção: David Kirschner. Roteiro: Don Mancini. Direção: Jack Bender.

Até a última parte do especial!

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