Especial Chucky (Brinquedo Assassino – Bride and Son of Chucky) – Parte 1

Quem tem mais ou menos a mesma idade que eu (24 anos) e curte filmes de horror, provavelmente já se manteve diante da televisão ligada no SBT em noites de sexta-feira, vendo um boneco sarcástico desferir facadas, asfixiar e até mesmo dar choques inexplicáveis em infelizes que jamais imaginariam que um brinquedo poderia matar… Bons tempos de descompromissados filmes de horror. A série Brinquedo Assassino (que depois foi seguida por filmes com o título do protagonista Chucky) fez parte da safra de filmes slashers, que foram criados aos montes entre as décadas de 80 e 90. Quase sempre as tentativas de mostrar um assassino (geralmente mascarado) matando dezenas de pessoas tontas resultava em filmes ruins. Em Brinquedo Assassino, apesar da justificativa absurda, a história é diferente e os fãs do gênero conheceram um novo assassino que caiu no gosto da galera e assustou muitas crianças por aí. Confesso: apenas por duas vezes na vida tive medo dos filmes de terror… o primeiro foi um visto quando eu tinha 5 anos e não faço ideia do nome, apesar de lembrar da cena em que duas mulheres estão em uma caverna e, não lembro bem o quê, arranca a face de uma delas (se alguém souber que filme é ese, agradeço 🙂 ). O outro foi Brinquedo Assassino 2, que me fez desligar a tv na cena em que Chucky mata a professora e ficar morrendo de medo pelo resto da noite, lá pros meus 7 anos.

Pois bem, Chucky foi ganhando mais filmes e a série Brinquedo Assassino de fato teve um fim com o abandono de sua justificativa original e um novo direcionamento em A Noiva de Chucky, que dividiu as opiniões dos fãs do personagem, que passaria então a estrelar filmes mais direcionados ao humor negro. Porém, neste ano poderemos ter uma “volta às origens” com Curse of Chucky, que ao que tudo indica será um filme de horror realmente. Enquanto o filme não sai, resolvi revisitar a série e compartilhar minhas opiniões com vocês.

Childs-Play-1988

Brinquedo Assassino (1988) – O início de um pesadelo infantil

O primeiro filme da franquia é um exemplo claro de como roteiros simples (neste caso, até mesmo absurdo) e um orçamento limitado podem ter bons resultados. O boneco Chucky foi criado quando o “boom” de filmes slashers ainda era evidente e, mesmo diante da ruindade que filmes do tipo ostentavam na época, agradou fãs do gênero e até mesmo críticos mais exigentes. Apesar de em um primeiro momento a premissa de um boneco possuído não parecer boa, Brinquedo Assassino superou as expectativas e iniciou uma nova franquia de sucesso mundial.

O filme começa com o detetive Norris (Chris Sarandon) perseguindo o assassino Charles Lee Ray (Brad Dourif) pelas ruas de Chicago. Durante a perseguição, Ray é atingido por um tiro e busca esconderijo dentro de uma loja de brinquedos, após ser abandonado por seu comparsa Eddie (Neil Giuntoli). Lá dentro, percebendo que está perto da morte, transfere sua alma para um boneco da linha “bonzinhos”, por intermédio de um ritual vodu. Após esse pequeno prólogo, somos apresentados à Karen (Catherine Hicks) e seu filho Andy Barclay (Alex Vincent) que é fã dos bonecos “Bonzinhos”. Karen consegue comprar de um mendigo um desses bonecos que foi encontrado na mesma loja em que Charles Lee Ray “mmorreu” e então presenteia seu filho. Obviamente, o boneco (Chucky) é na verdade Charles Lee Ray aprisionado, e quando uma amiga de Karen é jogada da janela, Andy vê que Chucky na verdade é um assassino e obviamente ninguém acredita nele. Chucky precisa transferir sua alma para o corpo de uma criança, e tentará de todas as formas “possuir” o corpo de Andy.

Sim, esse filme tem vários clichês (que mesmo assim na época não eram tão acentuados como são para nós hoje). Mas as coisas aqui fluem e o filme tem suas doses de suspense nos momentos certos. Ao contrário do que uma idéia inicial possa sugerir, o filme não desbanca para o trash; o diretor Tom Holland teve vários cuidados com andamentos e cenas, além de os atores manterem-se firmes em seus papéis e a fotografia ter sido bem cuidadosa. Obviamente merece destaque também o mecanismo do boneco, que é muito bem cuidado é não fica tão artificial (na seqüência, é possível perceber que esse mecanismo é muito melhor elaborado). E se temos no filme uma mãe e um filho inocentes e apavorados, em contraponto temos um assassino sarcástico e traiçoeiro, gerando um contraste muito bom… Chucky é muito filho da puta, hehehe.

Enfim, Brinquedo Assassino na minha opinião é mais do que um filme “que diverte”. Além de nos apresentar um ser maligno que pode usar várias estratégias para surpreender as suas vítimas, tem boas doses de suspense e em alguns momentos você pode até ficar com raiva das atitudes de Chucky. Child’s Play é um filme que não envelhece e que, além de ter iniciado uma franquia inicialmente agradável, é uma boa pedida para uma sessão de filmes soturnos.

Nota: 8,0

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Estados Unidos, 1988/ Elenco: Catherine Hicks, Alex Vincent, Chris Sarandon, Brad Dourif, Dina Mannoff, Tommy Swerdlor. Fotografia: Bill Butler. Efeitos Especiais: Richard O’Helmer e James Kagel. Edição: Roy E. Peterson e Edward Warschilka. Música: Joe Renzetti. Produção: David Kirschner
Roteiro: Don Mancini, John Lafia e Tom Holland. Direção: Tom Holland

No próximo artigo, analisarei Brinquedo Assassino 2 e 3. Até lá!

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