Chaplin (1922) – Uma boa representação do gênio na tela que ele popularizou

imprensa charles chaplin

chaplin_ver2

Filmes biográficos são, na minha opinião, trabalhos muito arriscados. Além de um estudo minucioso sobre a vida do referido, a equipe de produção deve ainda fazer uma análise do mundo à volta do personagem e fazer fluir o impacto sobre o personagem de forma não artificial. Chaplin é um filme que cumpre seu papel e nos traz uma efetiva narrativa sobre a trajetória deste gênio, num andamento repleto de momentos emocionantes e alguns levemente cômicos, inspirados no estilo das próprias obras de Charlie.
O espectador é apresentado à trajetória de Chaplin iniciando de sua infância até os tempos em que obteve destaque na Keystone e fundou a United Artists. Com a sua ascensão no cinema, Chaplin obteve um grande destaque no mundo artístico e rapidamente se tornou detentor de uma grande fortuna. Em contraste a isto, o diretor Richard Attenborough utilizou os dramas pessoais de Chaplin para mostrar que mesmo com a fama o ator era uma pessoa com vários problemas. Como na autobiografia de Chaplin, cujo roteiro é baseado, o filme explora a relação de Chaplin com suas várias experiências amorosas e posteriores conflitos. Além disso, é importante ressaltar a boa retratação do período em que Chaplin passou a ser investigado pelo FBI, o impacto de produção e lançamento de O Grande Ditador e seu posterior exílio.
O cast de bons atores torna o resultado ainda mais satisfatório. Robert Downey Jr. faz uma boa atuação, apesar de contido em alguns momentos. Anthony Hopkins ainda vivia seus bons tempos e garante firmeza ao seu reporter George Hayden, o único personagem fictício de destaque no filme. Vale também destacar a atuação de Geraldine Chaplin, filha do cineasta, interpretando a desequilibrada nborouHannah Chaplin, sua própria avó. A adaptação da história foi boa e seguiu literalmente vários pontos do livro Minha Vida, porém, como era de se esperar, falhou em alguns momentos ao retratar Charlie de forma tão trágica. Sabemos que Chaplin teve uma conturbada vida pessoal, mas às vezes o filme passa a impressão de que tudo na vida do cineasta era um inferno. Num filme sobre um dos maiores gênios do cinema, ficou faltando um pouco do que ele mais nos trouxe através da tela: alegria. Mesmo que em alguns momentos haja humor, e até mesmo cenas de seus filmes recriadas, fica a impressão de que Charlie era um homem “rabugento”.
Mesmo com alguns erros, Chaplin retrata bem a vida do gênio do cinema. Quando vejo este filme, fico com “nostalgia de uma época que não vivi”, ao ver os atores interpretando o convívio entre Chaplin, Douglas Fairbanks e Mary Pickford numa época em que o cinema era uma das mais genuínas expressões da arte e mente humana. Curioso também é ver como o governo estadunidense perseguiu duramente uma das pessoas que ajudou a popularizar um dos meios que na época de sua perseguição já era uma grande fonte de exploração capitalista… Enfim, Chaplin é um filme totalmente recomendado, uma viagem no tempo e vida de um dos maiores ícones da arte mundial.

Nota: 8,0

Estados Unidos, 1992 / Elenco: Robert Downey Jr., Geraldine Chaplin, Moira Kelly, Milla Jovovich, Kevin Kline, Anthony Hopkins. Música: John Barry. Roteiro: Diana Hawkins, baseado no livro “Minha Autobiografia”, de Charles Chaplin. Produção: Richard Attenborough e Mario Kassar. Direção: Richard Attenborough.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s